De Outros Carnavais

1997 foi um ano muito especial.

Foi exatamente na terça feira de carnaval que começava um lindo relacionamento de amor, parceria, confiança e, por que não dizer? Longevidade.

Para completar o carnaval, e mostrar que tudo daria realmente certo, a minha escola de samba foi campeã: a Viradouro arrasou com um samba contagiante, com direito a batida de funk e tudo – “Vou cair na gandaia / Com a minha bateria / No balanço da mulata / Explosão de alegria”.

Na época eu morava em São Gonçalo e no início do namoro eu não tinha telefone em casa nem celular. Início de namoro, momento intenso, e pra ligar pra amada tinha que recorrer ao orelhão, que volta e meia estava quebrado. O caminho até a casa dela era, digamos, confuso. Engarrafamento na ponte significava longos momentos de tédio e nervosismo parado no trânsito. E justamente nesse ano, foi lançada uma música que falava dessa situação: “São Gonça”, de Seu Jorge, que na época cantava no grupo Farofa Carioca. Lá vai a letra:

Pretinha
Faço tudo pelo nosso amor
Faço tudo pelo bem de nosso bem (meu bem)
A saudade é minha dor
Que anda arrasando com meu coração
Não Duvide que um dia
Eu te darei o céu
Meu amor junto com um anel
Pra gente se casar
No cartório ou na igreja
Se você quiser
Se não quiser, tudo bem (meu bem)
Mas tente compreender
Morando em São Gonçalo você sabe como é
Hoje a tarde a ponte engarrafou
E eu fiquei a pé
Tentei ligar pra você
O orelhão da minha rua
Estava escangalhado
Meu cartão tava zerado
Mas você crê se quiser…

Como o carnaval ainda não acabou, na semana que vem escrevo sobre os blocos de rua que eu fui, e a grande sensação deste carnaval: o Exalta Rei.

Aguardem!

(mais…)

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Published in: on fevereiro 24, 2009 at 3:37 pm  Deixe um comentário  

1986: UMA CONVERSA SOBRE MÚSICA E POESIA

 Em 1986 eu estava fascinado pelas bandas de rock que estouravam feito pipoca naquela época. Mas o objeto de meu fascínio tinha origem um pouco mais remota. Entrando na adolescência, me encantava principalmente com as bandas surgidas como conseqüência do fenômeno punk que havia balançado as estruturas do rock’n roll – que andava meio perdido nos virtuosismos do rock progressivo. Às pioneiras Sex Pistols e The Clash seguiram-se várias outras, de estilos variados, mas como ramificações daquele mesmo punk surgido no verão 76/77. Pós-punk, new wave, ska, e uma infinidade de bandas que passaram a freqüentar o meu toca-discos. U2, Smiths, Police, Cure, e no Brasil, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Capital Inicial, Plebe Rude… todas elas eram conhecidas em primeira mão pelas ondas da rádio niteroiense Fluminense FM, sintonizada na freqüência 94,9 do dial, mais conhecida pelos aficcionados como MALDITA.

Em 1986 eu escutava a mardita direto. Me lembro de escutar o primeiro disco do Legião Urbana em uma fita cassete que era gravada de um para o outro a partir de um LP original. Fiquei conhecendo as músicas do segundo disco, ainda quente saído do forno, numa festa de aniversário que fui, e o disco rolou inteirinho.

Foi neste ano que foi lançado um disco de um britânico que cantava, solitariamente ao violão, baladas suaves e serenas. Billy Bragg nem parecia ter surgido naquele mesmo verão punk londrino, em meio à barulhenta saraivada de guitarras distorcidas e baterias altamente aceleradas.

Não era seu primeiro LP, mas foi o primeiro que conheci. Aliás, só fui conhecer o disco todo quando o comprei uns dois anos depois no recém inaugurado Plaza Shopping. Aliás, implorei insistentemente – que pirralho chato – pra minha mãe comprar. Em 86 eu só conhecia uma única e singela canção: Levi Stubbs’ Tears, que tocava sempre numa certa freqüência de rádio que vinha de Niterói. Pois é. Foi através da Flu FM que aqueles acordes penetraram na minha mente e marcaram profundamente a minha formação musical.

Passados tantos anos, consigo perceber algumas influências que outras bandas tiveram, seja depois ou mais ou menos na mesma época. Pra começar, sempre achei que a banda Green Day tinha influências fortíssimas desse cara, só que com uma bateria a mil por hora. E agora, com o advento da internet e do fabuloso youtube, pude finalmente conhecer o clipe de “Levi Stubbs’ Tears”, e me lembrei demais daquele clipe de “tempo perdido”, do Legião Urbana. Só pra deixar registrado: o lançamento, tanto do disco “dois”, do Legião, que contém a música citada, e de “Talkin with taxman about poetry”, do Billy Bragg, que contém a outra música citada, são do mesmo ano: 1986.

E por falar em influências, ele próprio parece ser uma releitura. Algo como um Bob Dylan moderno. Quer dizer, moderno há mais de 20 anos atrás, claro.

(clipe de “Lebi Stubbs Tears”, do Billy Bragg)

(clipe de “Tempo Perdido”, do Legião Urbana)

 

Published in: on outubro 6, 2008 at 11:52 pm  Comments (4)  

De novo Eu e Meus Pimpolhos

Este post na verdade está sendo republicado. Achei que a situação era oportuna para isto.

Uma das melhores coisas da minha profissão é contato diário com tantas pessoas diferentes e as amizades que são criadas, apesar da grande diferença de idade, e, conseqüentemente, de interesses.

Não é raro me deparar hoje em dia (na maior parte das vezes via internet) com ex-alunos meus que estão cursando faculdade. Alguns deles estudaram comigo na 5a série!

E eu me encho de orgulho de ter de alguma maneira participado de seu crescimento, aprendizado, e diria até mesmo de suas vidas. Aliás, num momento tão importante e marcante da vida como é a adolescência.

Alguns desses momentos ficam registrados através de uma grande paixão: a fotografia. A foto acima é do aniversário de 15 anos de Juliana, que foi minha aluna na 8a série e hoje estuda na UFF.

Abaixo, as fotos mais recentes, que os alunos andaram cobrando durante a semana. Como promessa é dívida, elas estão aí:

701
701
801

Acho que é só clicar na miniatura que abre uma janela com a foto em tamanho grande.

Qualquer problema para abrir, me comuniquem nas aulas.

Um grande abraço a todos.

Published in: on setembro 27, 2008 at 1:23 am  Comments (2)  

Memórias Cinematográficas de Machado de Assis

Na última sexta-feira surgiu o assunto no pré-vestibular de Itaipú. Claro que o tema rendeu, pois desde a adolescência que sou fã do escritor, e quando a conversa envereda para algo que gostamos…

Pois bem, na hora esqueci de comentar que minha prima Gisella está produzindo uma mostra com as obras de Machado de Assis que foram transportadas para a telona do cinema. A mostra recebeu o título de MEMÓRIAS CINEMATOGRÁFICAS DE MACHADO DE ASSIS, e está em cartaz na CAIXA CULTURAL, que fica próximo à estação de Metrô da Carioca.

A apresentação da proposta e a programação encontam-se na no site http://imagemtempo.com.br.

Um abraço a todos.

Published in: on junho 15, 2008 at 7:21 pm  Deixe um comentário  

Sugestões Bibliográficas

Há duzentos anos atrás o Brasil dava os primeiros passos para a sua independência política. Não existem exemplos parecidos na história de um translado de todo o aparato administrativo de um país para outro continente.

O mundo estava mudando. Reis estavam sendo decapitados. A rainha de Portugal havia enlouquecido. Depois da Revolução Francesa quem mais acreditaria no poder divino dos reis? Eles já não eram mais necessários. Agora precisavam provar sua utilidade. O mundo europeu estava dominado por um general: Napoleão Bonaparte.

1808 como uma rainha louca um principe medroso e uma corte corrupta enganaram napoleao e mudaram a historia do brasil e de portugalÉ neste cenário conturbado que ocorre a mudança do governo português para o Rio de Janeiro. Este acontecimento trouxe profundas transformações para nós brasileiros, e podemos mesmo dizer que era dado o pontapé no processo de independência do Brasil.

Várias coisas foram escritas e mostradas sobre esta data importante: matérias em jornais, revistas, reportagens na TV, CD Rom vendido nas bancas, e muitos livros nas vitrines das livrarias. Entre tantos, acho que um dos maiores sucessos de vendas foi aquele lançado pelo jornalista Laurentino Gomes: “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”.1808 edicao juvenil

N’outro dia estava no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) esperando minha esposa para irmos à Casa França-Brasil dar uma espiadinha na exposição de Debret. Durante o tempo de espera, folheando alguns livros da filial da charmosa mas careira Livraria da Travessa que tem lá dentro, me deparei com uma versão juvenil do livro de Laurentino Gomes. Segurei a vontade – compras nunca devem ser feitas de ímpeto – e acabei comprando o livrinho em Niterói com um razoável descontinho. E o mais interessante foi encontrar um outro livro bacana: “A História do Brasil explicada aos meus filhos”, da brilhante historiadora Isabel Lustosa.

Estes livros voltados para o público juvenil são ótimos para professores, já que precisamos de material para preparar aulas e provas a partir de uma linguagem mais acessível aos queridos aluninhos do ensino fundamental.

Aos amigos do pré-vestibular, o original do Laurentino pode ser uma boa sugestão de leitura. Já para os amiguinhos da sétima série, qualquer um dos dois livrinhos comentados acima se mostram uma leitura agradável e importante para entender melhor o nosso passado.

 

Published in: on junho 8, 2008 at 2:56 pm  Deixe um comentário  

Uma pena

Gostaria de deixar registrado o meu pesar pela saída de Marina Silva do ministério do Meio Ambiente.

Uma das poucas pessoas no meio político que sempre demonstrou ser séria, íntegra, atuante. Ou seja, tudo o que os políticos deveriam ser. Além de ser uma figura emblemática: a mulher batalhadora, que ocupa um lugar importante na sociedade brasileira, etc.

Mas será que falhou na sua missão? Era, como o seu cargo exige, profunda defensora da Amazônia. E como podemos imaginar, a defesa da Amazônia e a rapidez nas licenças ambientais parecem ser como óleo e água.

O nosso consolo é que para o seu lugar foi convidado um político carioca também sério, também atuante, e que sempre foi envolvido em causas ambientais. Carlos Minc recebeu o convite justamente pela rapidez na concessão de licenças ambientais na secretaria do Estado do Rio de Janeiro. Mas como ele mesmo ressaltou em entrevista, o Rio de Janeiro ele conhece muito bem, sempre atuou na política fluminense. Mas em se tratando desse Brasilzão de Deus, a conversa é outra.

Fica a torcida por uma boa atuação do novo ministro.

Nossas próximas gerações agradecem.

Published in: on maio 22, 2008 at 5:40 pm  Deixe um comentário  

Desconectado

Estou escrevendo apenas para informar que estou desconectado da internet, por isso que o FI-LO PORQUE QUI-LO anda tão abandonadinho, tadinho…

Assim que voltar a ter acesso a internet voltarei a postar porraqui.

Um abraço!

Published in: on fevereiro 25, 2008 at 7:55 pm  Comments (1)  

O Canto da Sereia

Canto da Sereia

Quando o Canto da Sereia
Reluziu no seu olhar
Acertou na minha veia
Conseguiu me enfeitiçar…

Tem veneno o seu perfume
Que me faz o seu refém
Seu sorriso tem um lume
Que nenhuma estrela tem…

Tô com medo desse doce
Tô comendo em sua mão
Nunca imaginei que fosse
Mergulhar na tentação
Essa boca que me beija
Me enlouquece de paixão
Te entreguei numa bandeja
A chave do meu coração…

Seu tempero me deixa bolado
É um mel misturado com dendê
No seu colo eu me embalo
Eu me embolo
Até numa casinha de sapê
Como é lindo o bailado
Debaixo dessa sua saia godê
Quando roda no bamba querer
Fazendo um fuzuê…

Minha deusa esse seu encanto
Parece que veio do ilê
Ou será de um jogo de jongo
Que fica no corumbandê
Eu só sei que o som do batuque
É um truque do seu balancê
Preta cola comigo porque
Tô amando você…

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PS: Registro fotográfico feito por Angelisa, minha prima.
Os versos são cantados por Zeca Pagodinho, em música que serviu de tema de entrada dos noivos no Rancho das Flores, e que serve de tema musical para a minha vida nos últimos quase onze anos.

Published in: on janeiro 21, 2008 at 6:54 pm  Comments (2)  

12 de Janeiro

casamento

Está chegando o dia D.

Levei quase 11 anos pra tomar uma atitude, e olha aí em cima o fiel retrato dessa atitude.

Casamento é coisa pra uma vez só mesmo.

Já estou atendendo telefonemas com “quanto é?” no lugar de “alô”.

Como diz Maurício Valladares, “é muita pressão no turbo”.

Vou casar no dia do aniversário de Nando Reis.

Nem vou dizer mais nada não, acho que estou ficando meio apreensivo…

Nando Reis

Published in: on janeiro 10, 2008 at 9:38 pm  Comments (1)  

THE POLICE

 

Tá legal, o preço foi caro demais. Injustificável.

Mas deixando esta polêmica pra trás, o show superou minhas expectativas:

Com exceção de uma pequena seqüência de músicas meio paradonas demais um pouco antes do meio do show, foi tudo perfeito. A começar pela pontualidade britânica. Os coroas continuam “mandando muito bem”. A guitarra simples mas criativa de Andy Summers, e a voz de Sting que ignora a ação do tempo. Mas o que mais deixa a platéia boquiaberta é a bateria, que normalmente é um instrumento apagado lá pra trás do palco, mas que com Stewart Copeland tem um destaque especial. Eu, que esperava apenas uma ótima apresentação do baterista, fui surpreendido por uma obra-prima, se é que se pode descrever assim uma apresentação. E olha que é a opinião de um baixista, que em condições normais de temperatura e pressão só teria olhos pro baixo.

E tudo isto introduzido pelos Paralamas do Sucesso, grupo que começou a carreira com uma fortíssima influência do original britânico, especialmente João Barone, que não por coincidência é conhecido como o melhor baterista da cena pop-rock brasileira.

Acho que estou ficando mal acostumado. Ou então, com o tempo, a gente vai ficando mais exigente. Ultimamente só tenho visto shows de primeira qualidade. The Police, Mutantes, Pepperband… só músicas que envolvem outras épocas, grupos extintos que voltam numa onda revival. Sorte nossa. Aliás, isso também é história, não? Uma história muito mais atraente do que tratados e guerras e heróis construídos em livros didáticos.

Agora só resta um gostinho de quero mais. Espero que a história continue a ser escrita, contada e recontada, para nosso deleite.

 

 

Published in: on dezembro 12, 2007 at 7:56 pm  Comments (2)