TOCA RAUL!!!

Hoje sou professor. Mas há vinte anos eu estava do outro lado da sala de aula. Tímido, envergonhado, não era do tipo de aluno bagunceiro. Cursava o primeiro ano do antigo segundo grau, hoje ensino médio. Me lembro que tive que fazer um trabalho para Literatura. O trabalho consistia em fazer uma comparação entre obras de épocas diferentes. Puxei a brasa pra minha sardinha, claro, que era música. Comparei uma música de uma banda de punk-rock que fazia sucesso naquela época – Plebe Rude – com uma música de Raul Seixas. Analisei como o Raul Seixas tinha que fazer sua crítica político-social de uma maneira bastante metafórica, em “Mosca na Sopa”. Tudo tinha que ser entendido nas entrelinhas, como convinha num regime ditatorial, como o que o Brasil vivia. Já a música da Plebe Rude – “Proteção” – escancarava nas críticas, como já era permitido pela abertura política que o país vivia nos anos 80.raul

Alguns dias depois de entregar o trabalho ao professor, Raulzito morre. Credo em cruz! Até hoje me lembro dessa coincidência macabra. Só mesmo invocando a música do dito cujo:

CANTO PARA A MINHA MORTE

(Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho)

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

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Published in: on agosto 22, 2009 at 4:24 pm  Deixe um comentário  

Não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós

“EM RIGOR, NÃO TOMAMOS DECISÕES, SÃO AS DECISÕES QUE NOS TOMAM A NÓS”.

“A prova encontramo-la em que, levando a vida a executar sucessivamente os mais diversos actos, não fazemos preceder cada um deles de um período de reflexão, de avaliação, de cálculo, ao fim do qual, e só então, é que nos declararíamos em condições de decidir se iríamos almoçar, ou comprar o jornal, ou procurar a mulher desconhecida”.

(José Saramago)

carnaval de 1997
Foto de meados de 1997, ano em que começamos a namorar.
Detalhe para a barriguinha, ou ausência dela, que denunciava ao longe os 69 Kg de então.
Hoje apresento uma considerável pança de um senhor de 94 Kg.
Aliás, quando ando, sinto mesmo o seu balançar…
Quanta diferença!

 

Todo o post é de 3 de janeiro do ano passado, foi publicado no meu fotolog. Gostei da citação do Saramago para começar bem o ano, já que essa é uma época das famosas promessas de fim de ano que todo mundo sabe que só servem como rito de passagem. Alguém se lembra do que prometeu no ano passado?

Como aproveito as férias pra colocar em dia as minhas leituras, provavelmente estava lendo Saramago nessa época. Só não lembro qual o livro.

Feliz 2007 a todos!

Published in: on janeiro 2, 2007 at 12:16 pm  Comments (2)  

Então é Natal…

Gostaria a desejar a todos um feliz natal relembrando um texto que escrevi no natal de 2004:

Natal e ano novo, época de rever certos conceitos e/ou pré-conceitos. A fim de reafirmar a necessidade de olhar para trás, reformular posturas e vislumbrar um futuro melhor.
Comemoração do nascimento. Mistério da Santíssima Trindade à parte, o nascimento de alguém que pregou o amor entre as pessoas, abandonou família para lutar de corpo e alma por um mundo melhor. Tenho profunda admiração por pessoas capazes de abandonar tudo por um ideal. Jesus Cristo, Che Guevara, São Francisco de Assis…
Francisco Bernardone nasceu na cidade italiana de Assis, em 1181, filho de um rico comerciante de tecidos, e tirou todos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios. Tentou dar continuidade à carreira paterna, mas logo abandonaria a idéia.
Aos vinte anos, alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas no meio do caminho teve um sonho revelador: deveria trabalhar para “o Patrão e não para o servo”. Desde então, dedicou-se ao serviço de doentes e pobres.
Em 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: “Francisco, restaure minha casa decadente”. O chamado ainda pouco claro para São Francisco foi tomado no sentido literal, e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha, o que lhe rendeu ser deserdado pelo pai.
Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, “unindo-se à Irmã Pobreza”. Fundou a Ordem dos Frades Menores, que em poucos anos se transformou numa das maiores da Cristandade.
Para os leigos que viviam no mundo, mas desejavam ser fiéis ao espírito de pobreza e participar das graças e privilégios da espiritualidade franciscana, fundou a Ordem Terceira.
Olhar para o legado deixado por essas pessoas nos fazem refletir sobre o significado da vida, dos bens materiais e sobre os princípios básicos de amor ao próximo. Nos fazem pensar que, em vez de ficar esperando algo de bom acontecer conosco, seria muito mais significativo fazer algo de bom. Entender que é sempre melhor Consolar, que ser consolado. Compreender, que ser compreendido. Amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e tudo o mais…

Published in: on dezembro 24, 2006 at 2:35 am  Deixe um comentário  

Tá na hora de apagar a velinha…

No ano passado, nesta mesma data, eu postei esta mesma foto com as mesmas palavras no meu fotolog:

Joelma é uma pessoa ímpar.
Sorriso estampado no rosto a todo momento…
Para ela não existe rancor nem tristeza.
Vive com entusiasmo e alegria
Ainda serve como anti-depressivo, em doses homeopáticas ou mesmo em tratamento intensivo.

 

Dia trinta ela faz aniversário…
E já faz mais de 8 anos que tenho o privilégio de comemorar essa data.

 

É… mas agora já faz mais de 9 anos!

 

Obs: e não é que o site do roNca roNca também homenageou a “fofa” Joelma com um click feito por mim no Tim Festival?

Published in: on outubro 30, 2006 at 9:53 pm  Comments (3)  

Há um ano

Há algum tempo diria que andei revirando uns papéis antigos, mas nos tempos atuais eu tenho que reconhecer que andei revirando uns posts antigos.

Encontrei um texto que escrevi no fotolog há exato um ano atrás.

Muito bacana. Agora é meu passatempo predileto. E não é que eu fui um cronista dos acontecimentos da vida cotidiana nos últimos anos? Verdadeiras pérolas para me situar no tempo passado ou mesmo como catalogação para visitas futuras de um historiador que sempre sofreu horrores com uma rinite alérgica que sempre me deixou meio afastado de papéis empoeirados.

Lá vai o texto:John Lennon

Amanhã é o dia D

Eu sei que o referendo não mudará em nada os índices de criminalidade e muito menos diminuir os efeitos do crime organizado, mas fico feliz de votar SIM ao estatuto do desarmamento e deixar marcada a minha clara posição contra essa cultura da violência, e como bem disse Zuenir Ventura, onde o fetiche maior é o revólver.
Prefiro usar as palavras de um grande pacifista que foi vítima das balas de um revolver de um suposto “homem de bem”, que num surto psicótico resolveu que seria interessante tirar a vida de um homem.
“Give peace a chance!”, dizia essa vítima desse ingênuo fetiche, enquanto ainda vivia e bradava contra a violência e contra a inútil Guerra do Vietnã, na década de 60, nas músicas de seu grupo de rock: BEATLES.

Mais uma vez:
“Give peace a chance!” (John Lennon)

Obs: escrito em 22/10/2005.

Published in: on outubro 23, 2006 at 9:38 pm  Comments (1)