Dança das siglas

Angeli“O que é um nome?”, perguntava Romeu para Julieta, no teclado de um dos blogueiros mais lidos de todos os tempos, William Shakespeare. “Aquilo que chamamos de rosa, com qualquer outro nome teria perfume igualmente doce?”, completava.

Parece que o pessoal do PFL não entendeu a lição do dramaturgo inglês. E resolveu se redimir dos seus pecadinhos do passado mudando de nome. Ao ínves de PFL, a sigla que nos remete à toques cintilantes de autoritarismo, apoio à toda sorte de coronelismos, corrupção, oportunismo, raposagem política… é deletado. No seu lugar entra PD- Partido Democrático.

Outra matilha que resolveu se reunir e recauchutar o passado vergonhoso foram PRONA, PT do B e PL. Este último, para quem não acompanha a sopa de letrinhas partidária, é aquele partido comandado pelo simbólico Valdemar Costa Neto, o homem da mala, da ex-mulher enfurecida que entregou aos microfones toda a sujeira que assistia dentro de casa. O PRONA você sabe, nem partido é, conta apenas com a psicopatia agora mais branda do ex-barba Enéas. E o PT do B… bem, o PT do B, deixa pra lá.

Os três resolveram se unir para fundar o PR- Partido Republicano. Confesso que esta palavra me incomoda muito desde a CPI dos Correios, aquela que deu na CPI da Pizza. Até Roberto Jefferson usava essa palavra como ferramenta milagrosa. Olhava com profunididade de canastrão mexicano para a câmera e disparava: “Isto não é republicano, excelência”. Assim “republicano” virou sinônimo de “honestidade política”, isso na boca deles. O que causou uma erosão irreparável na palavra. Agora vem essa trinca de partidos medíocres e se fundem no Partido Republicano. Bonito, eles se merecem.

Agora, diga lá: quem mais deveria mudar de nome? Será que não está na hora de PSDB e PT, por exemplo, trocarem de casca? O PSDB, já que conseguiu perpetuar o seu modelo econômico no governo Lula, poderia virar PT- Partido dos Tucanos. E o PT mudaria para PZ, o Partido do Zé.

Ou vocês tem outras sugestões?

Charge: Angeli, publicada na Folha, em 11 de Janeiro de 2007

Texto: Marcelo Tas, 12 de fevereiro de 2007.

Published in: on fevereiro 12, 2007 at 5:26 pm  Comments (2)  

Melissa

Melissa

Saiu no jornal O DIA ontem uma conversa entre policiais e bandidos quando estes invadiram a freqüencia usada pela PM em rádio:

Bandido: “Fala aí, ô melissa (referência a milícia). Agora vocês acreditam? E vai ter muito mais.”

PM: “Não é melissa. É milícia. Não serve nem para ser bandido! Melissa é sandália que você usa, vagabundo.”

Published in: on dezembro 30, 2006 at 2:18 pm  Comments (3)  

Há 50 anos

O jornal O Globo tem uma coluninha do segundo caderno que sempre traz uma notícia estampada nas páginas do jornal há exatos 50 anos. Faz pouquíssimo tempo (07 / 11) saiu uma sobre um certo ritmo que estava aparecendo em 1956:

“POLÍCIA PRONTA PARA O ROCK AND ROLL (O Globo, em 07/11/1956)Rock and roll em 1956

Telegramas de Londres, Paris, Lisboa e outras grandes capitais nos dão conta da estranha acolhida que vêm merecendo por parte do público as músicas que caracterizam o novo ritmo originário dos Estados Unidos, o rock-and-roll. A música, segundo os telegramas, parece endoidecer os jovens, que se atiram às mais grotescas extravagâncias ao som da cadência alucinante. Seu lançamento coincide, sempre, com a exibição do filme ‘Rock-around-the-clock’, e as sessões cinematográficas têm terminado geralmente em baderna, com os espectadores depredando as salas de projeção e promovendo depois, na rua, autênticos shows de dança bamboleante e frenética.

No Brasil, onde a música já foi lançada por diversas emissoras, não parece ter transformado assim o espírito dos adolescentes. Há, no entanto, ao que se noticia, uma ameaça: um grupo de playboys e teenagers cariocas estaria planejando uma demonstração de conseqüências imprevisíveis. É claro que seria uma coisa puramente artificial, se preparada. Pelo seu caráter de evidente demonstração de desprezo aos bons costumes e pela perturbação que poderá causar à ordem pública, essa possibilidade já alertou as nossas autoridades, conforme ouvimos do delegado substituto de Costumes e Diversões, Sr. Clértan Arantes, que nos informou haver tomado conhecimento da ameaça, tendo determinado que se exerça uma vigilância especial com relação ao assunto.

— Eu aconselharia aos pais dos jovens que se têm deixado transtornar pela música em questão a levá-los ao médico psiquiatra, pois alguma coisa está errada em suas mentes. No que diz respeito ao cumprimento da Lei, no entanto, é ponto pacífico: a ordem será mantida — disse o delegado.”

Published in: on novembro 19, 2006 at 7:34 pm  Comments (4)  

De A-Ha a U2

Desde a adolescência, nos anos 80, quando adquiri o hábito da leitura – livros, jornais e revistas, principalmente assuntos relacionados à música, uma grande paixão – sempre observei bons jornalistas e acompanhava seus artigos sobre as bandas, filmes e tudo mais que me interessava ler.

O primeiro que me despertou atenção especial foi Tom Leão, do Globo, que sempre escrevia exatamente o que eu pensava sobre música em geral. Lançou, junto com Carlos Albuquerque, o Rio Fanzine, onde continua escrevendo. Depois descobri que ele era “afilhado” de Ana Maria Bahiana, jornalista fabulosa que admiro e respeito muito até hoje, também do Globo, que escreve sempre sobre cinema e recentemente lançou o livro Almanaque dos Anos 70.Z<p>eca Camargo

Já no iniciozinho dos anos 90 surgiu o Zeca Camargo, na então iniciante MTV brasileira. Mesmo depois que foi contratado pela Rede Globo, sempre continuou dando um jeito de fazer algumas matérias interessantes.

Tudo isso pra dizer que hoje vi uma entrevista sua na TV Câmara, realizada em Brasília, pois está lançando um livro (De A-Ha a U2) com os bastidores das várias entrevistas que já fez com astros da música do mundo inteiro. Muito Inteligente, deu dicas para uma platéia cheia de universitários – muitos estudantes de jornalismo – e contou um pouco de seus medos e angústias de início de carreira, de como aprendeu a separar o fã do profissional, pois já estragou uma entrevista com Michael Stipe, vocalista do R.E.M. por esse motivo, e outras coisas mais.

Boa sugestão para leitura.

Assim que tiver tempo ($) vou ler.

Published in: on outubro 22, 2006 at 9:08 pm  Comments (4)