Mirage

mirage

Muita gente não deve lembrar, mas houve uma época em que para fotografar a gente tinha que ir na loja, comprar um filme fotográfico, que podia ser de 12, 24 ou 36 poses, colocar o filme na máquina com todo o cuidado, porque o filme era sensível à luz e podia estragar. Depois de bater todas as 12, 24 ou 36 fotos a gente tinha que levar o filme numa loja de revelação, esperar uma hora pra ficar pronta e poder finalmente olhar as fotinhas que a gente bateu.

Das pessoas que lembram desse processo, muitas não devem lembrar que antes de ser dessa forma era ainda mais complicado: a gente ia na loja comprar um filme de 12, 24 ou 36 poses e o lojista perguntava qual filme que a gente queria, e a gente tinha que saber qual tipo de filme era compatível com a nossa máquina. Os filmes mais comuns para o grande público eram os de 110mm, 126mm ou os de 136mm. Depois tinha que colocar o filme na máquina com todo o cuidado, porque o filme era sensível à luz e podia estragar. Depois de bater todas as 12, 24 ou 36 fotos a gente tinha que levar o filme numa loja de revelação, deixar o filme lá e voltar no dia seguinte, porque não existia revelação em 1 hora. E finalmente olhar as fotinhas que a gente bateu.

Nos anos 70, um dos filmes fotográficos mais usados pelo grande público era o de 126mm, que batia fotos quadradinhas, como essa aqui. Eu me lembro bem que meu pai tinha uma maquina mirage, que usava esse tipo de filme e batia fotos quadradinhas. A máquina mirage usava um flash também quadradinho que era meio descartável, igual a pilha, quando gastava tinha que comprar outro.

É… fotografia nem sempre foi tão acessível assim. Só pra permanecer dentro do alcance das minhas lembranças, eu sempre tive vontade de fotografar, mas não podia, isso era coisa de adulto, sempre tive vontade de ter uma maquina fotográfica, mas não podia, isso era coisa de adulto. Até que no final dos anos 80 eu aprendi a fotografar num desses cursos por correspondência e meu pai finalmente comprou uma máquina pra mim, daquelas profissionais, chamadas de intercambiáveis. Máquina profissional, intercambiável? Ah, desculpa, esqueci que estou escrevendo para o grande público. Grande público? tudo bem, é verdade que este singelo blog não tem um público lá muito grande, e além do mais, isso é assunto pruma outra conversa.

anos 70

Na foto: eu, meu primo Alexandre e meu irmão Márcio brincando na sede da Abanerj em Itaipú, ali pertinho da praia, bem no finalzinho dos anos 70.

Obs: também houve um tempo em que o colorido da fotografia não era assim uma brastemp…

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Published in: on novembro 4, 2006 at 6:25 pm  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. A máquina da minha mãe era uma kodak que tmb tirava foto quadradinha.

    Minhas fotos coloridas tmb estão desbotadas como esta.

  2. =\
    Mas eu prefiro as mecânicas!
    Mauro, eu fiz um curso de fotografia…. dai, eles ensinavam com uma Nikon FM10 linda…

    eu gostei bastante das maquinas mecanicas, das dificuldades, de aprender….
    eu ainda quero comprar uma FM2 pra mim. Aqui no Rio tem muita dela no centro da cidade

    =)

    eu realmente adorei aprender com maquinas mecânicas.

    []’s

  3. Mauro, esse texto tá demais… muito bacana mesmo… aqui em casa, eu ainda guardo uma máquina AGFA alemã, do meu pai…
    Ah, sim, minhas fotos tb estão p´ra lá de amarelas…rs
    beijos

  4. Eu lembro dessa máquina! Ela ainda está por aí ou já se perdeu?

    Engraçado que chamamos a câmera de máquina… Hum, é, nem é tão engraçado assim…

    Mas sobre essa foto aí, eu achei que fosse no Mauá.

  5. Mauro, se te serve de consolo, as minhas fotos não são muito diferentes das tuas … e meu pai ainda guarda sua máquina profissional, que ele usava pra trabalhar num clube, tirando fotos de debutantes ! heheheehehe
    Ele tinha uma laboratorio aqui mesmo, e fazia todo o trabalho. Embora ele tenha aderido à máquina digital, ainda guarda a outra.
    Que por sinal, me ajudou muito durante a faculdade, quando as digitais ainda eram coisa rara.
    De qualquer forma, todo aquele ritual era bacana, com esse lance de máquina digital, perdi o habito até de revelar as fotos. Coisa de doido, não ?
    Adorei o post !
    Beijos

  6. Agora entendi todo seu carinho e fanatismo por fotos…coisas da infância.

    Era um porre revelar filmes, era sempre um dinheirão. Então sempre ficavam filmes não-revelados espalhados pela casa…ai acabava se perdendo aquelas fotos. Não dava pra tirar fotos toda hora. Mas também se dava mais valor à uma foto.

    Abraços

  7. Olá, eu tenho uma kodak instamatic de 74 e procuro rolo de 126mm. Ainda é possível arranjar filme para ela?


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