6 abril de 2010

Hoje não fui trabalhar.

Impossível chegar ao trabalho no caos que tomou conta da região metropolitana do Rio de Janeiro. Parece que o volume de chuva já ultrapassou a marca histórica de 1988.

Lembro bem dessas chuvas, mataram por volta de 300 pessoas, principalmente pelos deslizamentos nos morros da cidade.

A situação foi tão marcante que a banda Picassos Falsos gravou um disco com várias faixas que faziam alusão às chuvas, como na faixa fevereiro,  segunda do lado B:

FEVEREIRO

Um navegante pronunciou aflito
Com seus escritos e só
Que uma cidade julgada a mais bela
Em poucos dias viraria pó
A tantas milhas da verdade eu sei
Que estava certo
Nem tiras nem poder algum
Nessas horas fala

Enquanto meus olhos estavam perdidos
Brilhantes sem a luz do sol
Algo fervia minha cabeça
Quando nada lembra o carnaval
A verdade tarda mas um dia chega
Derrubando muitas casas
Já que hoje o morro
Não desce mas desaba
No meio da rua
Mostrando da maneira mais sutil
Quem faz o mais bela carnaval do planeta

Logo tudo isso em fevereiro
Castigar
Parece afogar
Um navegante aflito
Com seus escritos e só
E só
E só

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Published in: on abril 6, 2010 at 9:20 pm  Deixe um comentário  

O ESTRANGEIRO

“Quero falar da descoberta que o eu faz do outro. O assunto é imenso. Pode-se descobrir os outros em si mesmo, e perceber que não se é uma substância homogênea […]; eu é um outro. Mas cada um dos outros é um eu também, sujeito como eu. Somente o meu ponto de vista, segundo o qual todos estão e eu estou só aqui, pode realmente separá-los e distingui-los de mim”.

Tzvetan Todorov.

(mais…)

Published in: on março 15, 2010 at 10:51 pm  Deixe um comentário  

COMEÇANDO O ANO

Finalmente estou de volta, incentivado pela minha sobrinha preferida, Carol.

Não sei se vou conseguir manter o blog realmente ativo, com uma frequência aceitavel, mas vou tentar.

Pra começar, um post sobre o início das aulas.

Vez em quando uso um artifício nas primeiras aulas do ano pra quebrar o gelo, principalmente com turmas novas, que não conheço. Consiste em fazer uma brincadeirinha com a turma usando uma música. Coloco os pimpolhos pra ouvir uma canção de um grupo meio desconhecido dos anos 80 (Os Mulheres Negras), e pedir pra que eles escrevam tudo que conseguiram entender da letra. Quem conseguir acertar o maior número de palavras ganha a brincadeira e leva um superprêmio todo especial: uma bala juquinha. No final é a maior curtição, porque passamos a comparar a letra verdadeira com os absurdos que foram escritos pelos alunos. O maior barato. Normalmente a galerinha adora a brincadeira e alguns passam a gostar até mesmo da banda, procuram na internet, essas coisas.

O nome da música é “Só Tetele”. Coloco a seguir dois vídeos da mesma música: o primeiro é o clipe oficial, e o segundo é a apresentação ao vivo da banda no antigo programa do Serginho Groisman na TV Cultura, o Matéria Prima.

Published in: on março 8, 2010 at 11:01 pm  Deixe um comentário  

Meus Aluninhos de Itaipava

Como de costume, sempre coloco por aqui fotos dos meus aluninhos.

Agora meus pimpolhos são de Itaipava, terceiro distrito de Petrópolis.

Esses aí são do Educandário Menino Jesus.

É uma pena só dar aula de HGPT (história e geografia de Petrópolis e Turismo), assunto que não domino. Aliás, não sabia muita coisa até agora, que sou obrigado a preparar aulas sobre o tema. Minha esperança é que no ano que vem consiga turmas como professor de história, que é minha área de formação.

Acho que é só clicar na imagem pra ver a foto no tamanho real.

Published in: on setembro 21, 2009 at 12:57 am  Comments (2)  

Rock and Roll

Acho que quase todo mundo sabe, tenho um grupo de rock, toco baixo, e de foto PBvez em quando esse grupo toca por aí. O principal público tem sido os motoclubes, aquele pessoal vestido de preto com caveira pra tudo quanto é lado que adora um bom e velho rock and roll. Que bom! Porque nós também adoramos.

O nome da banda é velho: Rink às 10 era o nome da foto PB IIminha primeira banda, formada em 1989. A banda atual foi formada no início do ano passado, e quanta diferença!

As fotos são da última apresentação, no dia 5 de setembro, no casamento de Ladeira, do motoclube Amortecedores.

Published in: on setembro 12, 2009 at 6:39 pm  Deixe um comentário  

TOCA RAUL!!!

Hoje sou professor. Mas há vinte anos eu estava do outro lado da sala de aula. Tímido, envergonhado, não era do tipo de aluno bagunceiro. Cursava o primeiro ano do antigo segundo grau, hoje ensino médio. Me lembro que tive que fazer um trabalho para Literatura. O trabalho consistia em fazer uma comparação entre obras de épocas diferentes. Puxei a brasa pra minha sardinha, claro, que era música. Comparei uma música de uma banda de punk-rock que fazia sucesso naquela época – Plebe Rude – com uma música de Raul Seixas. Analisei como o Raul Seixas tinha que fazer sua crítica político-social de uma maneira bastante metafórica, em “Mosca na Sopa”. Tudo tinha que ser entendido nas entrelinhas, como convinha num regime ditatorial, como o que o Brasil vivia. Já a música da Plebe Rude – “Proteção” – escancarava nas críticas, como já era permitido pela abertura política que o país vivia nos anos 80.raul

Alguns dias depois de entregar o trabalho ao professor, Raulzito morre. Credo em cruz! Até hoje me lembro dessa coincidência macabra. Só mesmo invocando a música do dito cujo:

CANTO PARA A MINHA MORTE

(Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho)

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Published in: on agosto 22, 2009 at 4:24 pm  Deixe um comentário  

VOCÊ SABE QUE ESTÁ FICANDO VELHO QUANDO…

Ontem passou um sujeito aqui em casa oferecendo seus serviços. Cobrou trinta reais para aparar a grama. Disse que não precisava, que eu tinha comprado um aparador elétrico, e tal. Ele argumentou que não era a mesma coisa, ele era profissional, essas coisas. Insistiu pra que eu pegasse ao menos seu telefone para contato. Acabei concordando. Fui além, numas dessas necessidades incontroláveis de tentar parecer simpático, e disse que não era só o fato de não saber aparar direito, que não ficava tão certinho, disse que além de tudo era uma tarefa que cansava muito, e eu acabava dividindo a grama em partes, demorando vários dias pra acertar todo o quintal. Ele concordou com ênfase, dizendo: “é cansativo pra mim, que sou novo, imagina pro senhor”. Ah, tá. Só por curiosidade, ainda perguntei qual era a sua idade. Trinta e três anos. Ah, tá.

Obs: Eu tenho trinta e cinco.

P.S.: hoje acordei com uma gripe daquelas. Tomara que não seja a danada da suína. Também, quem manda não tomar a vacina do idoso?

Published in: on agosto 16, 2009 at 3:37 pm  Comments (6)  

Petrópolis

brazil-petropolis1Em 2005 fiz um concurso público pra trabalhar em Petrópolis, a cidade imperial na região serrana do Rio de Janeiro. Não estudei pra fazer a prova, coisa bastante normal em se tratando de minha pessoa. Me deparei inclusive com questões específicas sobre a história da cidade de Petrópolis, que, evidentemente, eu não sabia. Se tivesse pelo menos lido o edital direitinho saberia que isso ia acontecer. Pois bem: recentemente recebi um telegrama de convocação para assumir o cargo. Participei da reunião preliminar, explicando direitinho os passos a serem dados até entrar em sala de aula. Muitos documentos exigidos, assim como exames médicos. A funcionária da prefeitura deixou claro que quem morava fora da cidade de Petrópolis poderia fazer os exames na sua cidade e depois entregá-los junto com os outros documentos. Cheguei no laboratório e soube que tinha que fazer a transcrição do pedido para o formulário da unimed, e que isso poderia ser feito na própria unimed, que ficava praticamente ao lado do laboratório. Lá fui eu pedir a transcrição para o formulário e o atendente me comunicou que exame admissional o plano de saúde não cobre. Tentei argumentar do absurdo da coisa, já que eu pago o plano todo mês e não seria justo que exatamente quando preciso dele, tenho que pagar do meu bolso. Ou seja, estaria pagando duas vezes pela mesma coisa, etecétera e tal. Não adiantou, ele foi taxativo: está no contrato, não tem jeito. Resultado: fui num médico qualquer, pedi uma consulta, disse que queria fazer um periódico completo, com todos os exames, essas coisas, e saí de lá com os mesmos pedidos de exames que tinha antes, só que agora no formulário da unimed direitinho, e pude fazer finalmente os exames como queria desde o início. Moral da história: quem tenta se dar bem acaba podendo levar a pior. A “burrocracia” da unimed a fez pagar por duas coisas quando na verdade só precisava pagar por uma. O plano teve que cobrir a consulta do médico e mais o exame, quando poderia pagar somente pelo último.

Published in: on março 14, 2009 at 5:00 pm  Comments (1)  

Bola Murcha

Bem que não costumo jogar futebol porque sempre fui ruim de bola.

atleta de fim de semana

atleta de fim de semana

Mas não é que nesse fim de semana atendi aos apelos para que eu participasse de uma pelada? Não deu outra: mais do que um atleta de fim de semana, sou um atleta de uma vez na vida outra na morte. . Acabei todo doído, quase que não agüento nem andar. Além de tudo, já estou numa certa idade, que as piadinhas se seguem:

– É problema de umidade. Quando chega em uma idade…

– É problema de junta. Junta tudo e joga fora.

E por aí vai…

Bola MurchaAté que consegui jogar mais tempo do que pensei que fosse conseguir: foram cerca de vinte minutos de cenas dignas de fazer parte do Fantástico, só que no quadro “bola murcha”.

Agora só falta dizer: eu sabia, eu avisei, não avisei?

Published in: on março 9, 2009 at 4:42 pm  Comments (1)  

Carnaval 2009: Tantas emoções…

Cronologia do carnaval 2009:

Na sexta-feira, o tradiciona bloco Embaixadores da Folia foi bem animado.

No sábado, fiquei por Niterói mesmo.

Domingo o dia começou com o Cordão do Boitatá na Praça XV. Depois fomos pro Jardim Botânico pra tentar curtir o Bangalafumenga. Mas infelizmente, ele entrou pra lista daqueles blocos impraticáveis, como o Bola Preta. A gente não consegue nem andar, nem dançar, nem nada…

Roberto Carlos

Roberto Carlos

Na segunda-feira eu presenciei incrédulo ao bloco mais inusitado dos últimos tempos: o Exalta Rei foi criado pra homenagear o rei Roberto Carlos. Ele percorre as apertadas ruas da Urca, onde mora o homenageado, tocando e cantando apenas músicas do rei. O ápice foi a parada na frente do prédio onde mora a sua magestade, e não é que ele apareceu, acenou, agradeceu, se mostrou emocionado, recebeu flores, etc  (foto acima).  Depois do delírio absoluto, fomos pra Lapa e ainda deu pra pegar o finalzinho do bloco Mão de Lata.

Na terça-feira, outro bloco bastante diferente: o Orquestra Voadora, que não toca nenhuma dessas marchinhas nem sambas de carnaval. No repertório, Tim Maia, Mutantes, Gilberto Gil, e até Jimi Hendrix, tudo isso no gramado do MAM.  À noite fomos pra av. Rio Branco e curtimos um pouco do tradicional carnaval de rua da cidade: mais uma vez o Embaixadores da Folia e depois o Cacique de Ramos.

Infelizmente, dois blocos bem legais se tornaram impossíveis de entrar: o Carmelitas e o Céu na Terra, ambos nas apertadas ruas de Santa Tereza.

Published in: on março 1, 2009 at 8:00 am  Deixe um comentário