Fi-lo Porque Qui-lo

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TOCA RAUL!!!

Agosto 22, 2009 · Deixe um comentário

Hoje sou professor. Mas há vinte anos eu estava do outro lado da sala de aula. Tímido, envergonhado, não era do tipo de aluno bagunceiro. Cursava o primeiro ano do antigo segundo grau, hoje ensino médio. Me lembro que tive que fazer um trabalho para Literatura. O trabalho consistia em fazer uma comparação entre obras de épocas diferentes. Puxei a brasa pra minha sardinha, claro, que era música. Comparei uma música de uma banda de punk-rock que fazia sucesso naquela época – Plebe Rude – com uma música de Raul Seixas. Analisei como o Raul Seixas tinha que fazer sua crítica político-social de uma maneira bastante metafórica, em “Mosca na Sopa”. Tudo tinha que ser entendido nas entrelinhas, como convinha num regime ditatorial, como o que o Brasil vivia. Já a música da Plebe Rude – “Proteção” – escancarava nas críticas, como já era permitido pela abertura política que o país vivia nos anos 80.raul

Alguns dias depois de entregar o trabalho ao professor, Raulzito morre. Credo em cruz! Até hoje me lembro dessa coincidência macabra. Só mesmo invocando a música do dito cujo:

CANTO PARA A MINHA MORTE

(Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho)

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

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1986: UMA CONVERSA SOBRE MÚSICA E POESIA

Outubro 6, 2008 · 4 Comentários

 Em 1986 eu estava fascinado pelas bandas de rock que estouravam feito pipoca naquela época. Mas o objeto de meu fascínio tinha origem um pouco mais remota. Entrando na adolescência, me encantava principalmente com as bandas surgidas como conseqüência do fenômeno punk que havia balançado as estruturas do rock’n roll – que andava meio perdido nos virtuosismos do rock progressivo. Às pioneiras Sex Pistols e The Clash seguiram-se várias outras, de estilos variados, mas como ramificações daquele mesmo punk surgido no verão 76/77. Pós-punk, new wave, ska, e uma infinidade de bandas que passaram a freqüentar o meu toca-discos. U2, Smiths, Police, Cure, e no Brasil, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Capital Inicial, Plebe Rude… todas elas eram conhecidas em primeira mão pelas ondas da rádio niteroiense Fluminense FM, sintonizada na freqüência 94,9 do dial, mais conhecida pelos aficcionados como MALDITA.

Em 1986 eu escutava a mardita direto. Me lembro de escutar o primeiro disco do Legião Urbana em uma fita cassete que era gravada de um para o outro a partir de um LP original. Fiquei conhecendo as músicas do segundo disco, ainda quente saído do forno, numa festa de aniversário que fui, e o disco rolou inteirinho.

Foi neste ano que foi lançado um disco de um britânico que cantava, solitariamente ao violão, baladas suaves e serenas. Billy Bragg nem parecia ter surgido naquele mesmo verão punk londrino, em meio à barulhenta saraivada de guitarras distorcidas e baterias altamente aceleradas.

Não era seu primeiro LP, mas foi o primeiro que conheci. Aliás, só fui conhecer o disco todo quando o comprei uns dois anos depois no recém inaugurado Plaza Shopping. Aliás, implorei insistentemente – que pirralho chato – pra minha mãe comprar. Em 86 eu só conhecia uma única e singela canção: Levi Stubbs’ Tears, que tocava sempre numa certa freqüência de rádio que vinha de Niterói. Pois é. Foi através da Flu FM que aqueles acordes penetraram na minha mente e marcaram profundamente a minha formação musical.

Passados tantos anos, consigo perceber algumas influências que outras bandas tiveram, seja depois ou mais ou menos na mesma época. Pra começar, sempre achei que a banda Green Day tinha influências fortíssimas desse cara, só que com uma bateria a mil por hora. E agora, com o advento da internet e do fabuloso youtube, pude finalmente conhecer o clipe de “Levi Stubbs’ Tears”, e me lembrei demais daquele clipe de “tempo perdido”, do Legião Urbana. Só pra deixar registrado: o lançamento, tanto do disco “dois”, do Legião, que contém a música citada, e de “Talkin with taxman about poetry”, do Billy Bragg, que contém a outra música citada, são do mesmo ano: 1986.

E por falar em influências, ele próprio parece ser uma releitura. Algo como um Bob Dylan moderno. Quer dizer, moderno há mais de 20 anos atrás, claro.

(clipe de “Lebi Stubbs Tears”, do Billy Bragg)

(clipe de “Tempo Perdido”, do Legião Urbana)

 

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De novo Eu e Meus Pimpolhos

Setembro 27, 2008 · 2 Comentários

Este post na verdade está sendo republicado. Achei que a situação era oportuna para isto.

Uma das melhores coisas da minha profissão é contato diário com tantas pessoas diferentes e as amizades que são criadas, apesar da grande diferença de idade, e, conseqüentemente, de interesses.

Não é raro me deparar hoje em dia (na maior parte das vezes via internet) com ex-alunos meus que estão cursando faculdade. Alguns deles estudaram comigo na 5a série!

E eu me encho de orgulho de ter de alguma maneira participado de seu crescimento, aprendizado, e diria até mesmo de suas vidas. Aliás, num momento tão importante e marcante da vida como é a adolescência.

Alguns desses momentos ficam registrados através de uma grande paixão: a fotografia. A foto acima é do aniversário de 15 anos de Juliana, que foi minha aluna na 8a série e hoje estuda na UFF.

Abaixo, as fotos mais recentes, que os alunos andaram cobrando durante a semana. Como promessa é dívida, elas estão aí:

701
701
801

Acho que é só clicar na miniatura que abre uma janela com a foto em tamanho grande.

Qualquer problema para abrir, me comuniquem nas aulas.

Um grande abraço a todos.

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Nossos destinos foram traçados na maternidade

Outubro 31, 2007 · Deixe um comentário

“Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados
Na maternidade…”


Ontem alguém fez aniversário.
Como a data não podia passar em branco, vou lembrar rapidamente como as palavras do poeta cabem perfeitamente em nossa história.

Eu nasci exatamente no dia em que aconteceu a terrível tragédia no edifício Joelma, em São Paulo, no dia 1o de fevereiro de 1974. Neste incêndio morreram 179 pessoas e 300 ficaram feridas.
E não é que estou prestes a me casar, e minha futura esposa se chama Joelma, tal qual o edifício que marcou o dia do meu nascimento?
Parece que ela veio pra incendiar a minha vida…
E, assim como cantava Cazuza, nós também podemos dizer: “nossos destinos foram traçados na maternidade”.

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Eu e meus pimpolhos

Abril 27, 2007 · 1 Comentário

Uma das melhores coisas da minha profissão é contato diário com tantas pessoas diferentes e as amizades que são criadas, apesar da grande diferença de idade, e, conseqüentemente, de interesses.

Não é raro me deparar hoje em dia (na maior parte das vezes via internet) com ex-alunos meus que estão cursando faculdade. Alguns deles estudaram comigo na 5a série!

E eu me encho de orgulho de ter de alguma maneira participado de seu crescimento, aprendizado, e diria até mesmo de suas vidas. Aliás, num momento tão importante e marcante da vida como é a adolescência.

Alguns desses momentos ficam registrados através de uma grande paixão: a fotografia. A foto abaixo é do aniversário de 15 anos de Juliana, que foi minha aluna na 8a série e hoje estuda na UFF.
ajulianai.jpgajulianaii.jpg

A seguir estão os links para as fotos dos meus atuais aluninhos:

702     -      802    -    803

(Para ver no tamanho máximo é só clicar na resolução entre parênteses abaixo da foto) 

702

802

803

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Balada do Louco

Fevereiro 8, 2007 · 5 Comentários

Arnaldo

Noite de 31 de dezembro de 1982. Arnaldo estava internado desde 27 de dezembro para um tratamento de desintoxicação. Algumas coisas formavam um caldo um tanto explosivo: ele estava aflito com a idéia de passar o reveillon nestas condições, e pra piorar era aniversário de Rita Lee, sua ex-mulher, que ao que tudo indica, foi o grande amor de sua vida. Soma-se a isso uma daquelas graves crises de abstinência. Resultado: Arnaldo Baptista, considerado o cérebro dos Mutantes, pulou do terceiro andar da clínica, passando muito perto da morte. Quebrou sete costelas, feriu seriamente as cordas vocais, sofreu um edema cerebral e uma lesão pulmonar, ficando com o lado esquerdo paralisado. Quando acordou do coma, dois meses depois, só falava em inglês.Mutantes

Foi muito frustrante quando, numa noite qualquer de 1992/93 (dez anos depois), eu assisti a uma jam session no Circo Voador em que estava presente Arnaldo Baptista, com todas as seqüelas ainda muito evidentes, sofrendo o deboche e o descaso do público e até mesmo de alguns artistas que estavam no palco. Fiquei realmente arrasado ao ver um ídolo naquele estado, sendo tratado daquela maneira.

No último sábado, 3 de fevereiro, fui presenteado com uma apresentação primorosa do lendário grupo tropicalista. Que o show seria espetacular eu não tinha dúvida. Me emocionou particularmente o tratamento carinhoso dado pelo público ao Arnaldo: foi reverenciado como merece. Outrora tratado apenas como maluco, agora pôde colher os frutos de sua própria superação.

É como diz na letra de sua composição, autobiográfica e premonitória: “Sim, sou muito louco / Não vou me curar / Já não sou o único / que encontrou a paz / Mas louco é quem me diz / e não é feliz / eu sou feliz”


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Não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós

Janeiro 2, 2007 · 2 Comentários

“EM RIGOR, NÃO TOMAMOS DECISÕES, SÃO AS DECISÕES QUE NOS TOMAM A NÓS”.

“A prova encontramo-la em que, levando a vida a executar sucessivamente os mais diversos actos, não fazemos preceder cada um deles de um período de reflexão, de avaliação, de cálculo, ao fim do qual, e só então, é que nos declararíamos em condições de decidir se iríamos almoçar, ou comprar o jornal, ou procurar a mulher desconhecida”.

(José Saramago)

carnaval de 1997
Foto de meados de 1997, ano em que começamos a namorar.
Detalhe para a barriguinha, ou ausência dela, que denunciava ao longe os 69 Kg de então.
Hoje apresento uma considerável pança de um senhor de 94 Kg.
Aliás, quando ando, sinto mesmo o seu balançar…
Quanta diferença!

 

Todo o post é de 3 de janeiro do ano passado, foi publicado no meu fotolog. Gostei da citação do Saramago para começar bem o ano, já que essa é uma época das famosas promessas de fim de ano que todo mundo sabe que só servem como rito de passagem. Alguém se lembra do que prometeu no ano passado?

Como aproveito as férias pra colocar em dia as minhas leituras, provavelmente estava lendo Saramago nessa época. Só não lembro qual o livro.

Feliz 2007 a todos!

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Então é Natal…

Dezembro 24, 2006 · Deixe um comentário

Gostaria a desejar a todos um feliz natal relembrando um texto que escrevi no natal de 2004:

Natal e ano novo, época de rever certos conceitos e/ou pré-conceitos. A fim de reafirmar a necessidade de olhar para trás, reformular posturas e vislumbrar um futuro melhor.
Comemoração do nascimento. Mistério da Santíssima Trindade à parte, o nascimento de alguém que pregou o amor entre as pessoas, abandonou família para lutar de corpo e alma por um mundo melhor. Tenho profunda admiração por pessoas capazes de abandonar tudo por um ideal. Jesus Cristo, Che Guevara, São Francisco de Assis…
Francisco Bernardone nasceu na cidade italiana de Assis, em 1181, filho de um rico comerciante de tecidos, e tirou todos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios. Tentou dar continuidade à carreira paterna, mas logo abandonaria a idéia.
Aos vinte anos, alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas no meio do caminho teve um sonho revelador: deveria trabalhar para “o Patrão e não para o servo”. Desde então, dedicou-se ao serviço de doentes e pobres.
Em 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: “Francisco, restaure minha casa decadente”. O chamado ainda pouco claro para São Francisco foi tomado no sentido literal, e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha, o que lhe rendeu ser deserdado pelo pai.
Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, “unindo-se à Irmã Pobreza”. Fundou a Ordem dos Frades Menores, que em poucos anos se transformou numa das maiores da Cristandade.
Para os leigos que viviam no mundo, mas desejavam ser fiéis ao espírito de pobreza e participar das graças e privilégios da espiritualidade franciscana, fundou a Ordem Terceira.
Olhar para o legado deixado por essas pessoas nos fazem refletir sobre o significado da vida, dos bens materiais e sobre os princípios básicos de amor ao próximo. Nos fazem pensar que, em vez de ficar esperando algo de bom acontecer conosco, seria muito mais significativo fazer algo de bom. Entender que é sempre melhor Consolar, que ser consolado. Compreender, que ser compreendido. Amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e tudo o mais…

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Oh, crianças, isso é só o fim…

Dezembro 10, 2006 · 1 Comentário

O Breve Século XX, como foi chamado pelo historiador Eric Hobsbawm, foi certamente a época da aceleração do tempo, onde as coisas tomam um sentido cada vez mais imediato e com mudanças cada vez mais rápidas e intensas no cotidiano.maquina de escrever

Algumas dessas mudanças podem ser sentidas nas nossas vidas aqui e agora, enquanto escrevo no teclado do computador. Posso lembrar sem nenhuma dificuldade dos tempos em que aprendi datilografia, e tinha que escrever com rapidez e eficiência nas duras teclas da máquina de escrever. A cada erro, arrancava o papel e escrevia tudo de novo. Nunca tinha ouvido falar da tecla delete.

As mudanças podem ser verificadas ainda mais profundas quando comparamos lembranças de algumas gerações. Sempre lembro da minha mãe contando da época em que não tinha televisão e ela tinha que assistir os programas feito papagaio de pirata na casa do vizinho. Isso ainda na década de 50/60. O aparelho de TV era caro demais na época, assim como qualquer nova mania tecnológica o é hoje em dia, até não ser mais novidade, tendo então o preço barateado. Mas minha mãe, certamente já tinha um entretenimento muito interessante que era o rádio, e que sua mãe (minha avó) com certeza nem sempre teve. Imaginem como deveria ser a vida sem nem mesmo um radiozinho pra alegrar as horas vagas…

RadioNo outro dia estava lendo um texto e me deparei com um relato de uma ouvinte de rádio que mandou uma carta para a revista Carioca, publicada em 03 de outubro de 1936, sugerindo que entre os problemas que mantinham o rádio brasileiro em um estágio ainda embrionário estava o dos pesados impostos que incidiam sobre os aparelhos, que eram importados, tornando sua aquisição somente possível para as classes mais abastadas. Restava aos “menos abastados apenas o martírio de namorá-los nas vitrines dos estabelecimentos”. A leitora-ouvinte afirmava que “onde quer que funcione um rádio a aglomeração de ouvintes é matemática” e terminava sua carta apresentando-se como uma ouvinte que, “ainda não possuindo um rádio, contenta-se em ouvir o do vizinho mas sempre na doce esperança de um dia possuir o seu”.

Pois é, crianças, se o século XX foi breve, como afirma Hobsbawm, o século XXI está sendo um flash, quando a gente pensa que vai ser, já foi…

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Mirage

Novembro 4, 2006 · 7 Comentários

mirage

Muita gente não deve lembrar, mas houve uma época em que para fotografar a gente tinha que ir na loja, comprar um filme fotográfico, que podia ser de 12, 24 ou 36 poses, colocar o filme na máquina com todo o cuidado, porque o filme era sensível à luz e podia estragar. Depois de bater todas as 12, 24 ou 36 fotos a gente tinha que levar o filme numa loja de revelação, esperar uma hora pra ficar pronta e poder finalmente olhar as fotinhas que a gente bateu.

Das pessoas que lembram desse processo, muitas não devem lembrar que antes de ser dessa forma era ainda mais complicado: a gente ia na loja comprar um filme de 12, 24 ou 36 poses e o lojista perguntava qual filme que a gente queria, e a gente tinha que saber qual tipo de filme era compatível com a nossa máquina. Os filmes mais comuns para o grande público eram os de 110mm, 126mm ou os de 136mm. Depois tinha que colocar o filme na máquina com todo o cuidado, porque o filme era sensível à luz e podia estragar. Depois de bater todas as 12, 24 ou 36 fotos a gente tinha que levar o filme numa loja de revelação, deixar o filme lá e voltar no dia seguinte, porque não existia revelação em 1 hora. E finalmente olhar as fotinhas que a gente bateu.

Nos anos 70, um dos filmes fotográficos mais usados pelo grande público era o de 126mm, que batia fotos quadradinhas, como essa aqui. Eu me lembro bem que meu pai tinha uma maquina mirage, que usava esse tipo de filme e batia fotos quadradinhas. A máquina mirage usava um flash também quadradinho que era meio descartável, igual a pilha, quando gastava tinha que comprar outro.

É… fotografia nem sempre foi tão acessível assim. Só pra permanecer dentro do alcance das minhas lembranças, eu sempre tive vontade de fotografar, mas não podia, isso era coisa de adulto, sempre tive vontade de ter uma maquina fotográfica, mas não podia, isso era coisa de adulto. Até que no final dos anos 80 eu aprendi a fotografar num desses cursos por correspondência e meu pai finalmente comprou uma máquina pra mim, daquelas profissionais, chamadas de intercambiáveis. Máquina profissional, intercambiável? Ah, desculpa, esqueci que estou escrevendo para o grande público. Grande público? tudo bem, é verdade que este singelo blog não tem um público lá muito grande, e além do mais, isso é assunto pruma outra conversa.

anos 70

Na foto: eu, meu primo Alexandre e meu irmão Márcio brincando na sede da Abanerj em Itaipú, ali pertinho da praia, bem no finalzinho dos anos 70.

Obs: também houve um tempo em que o colorido da fotografia não era assim uma brastemp…

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